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carmina poetry
terça-feira, 7 de junho de 2016
águas mudas
O casco do teu barco
- calado -
não me navega.
Não conto as léguas
- o que separa
é o silêncio.
Ponta do Icuxi / Pará
foto Adriana Barata
sábado, 21 de maio de 2016
a mo(r)-te
Adormeça no meu colo
e acorde infinito.
(Juro velar teu sono
e velejar teu sonho
rumo ao que
- ainda –
tu, de ti, desconheces.)
Te apresses!
Traz teu sol,
ilumina as estrelas,
sopra teu vento a inflar plena lua.
Assim,
quando amanheceres,
a Vida – toda, inteira –
por ti, será tua.
foto Adriana Barata
Ponta do Icuxi - Pará
fev 2016
quarta-feira, 18 de maio de 2016
assaz sina
o sereno caiu
sobre as palavras que guardei
para lhe dizer antanho.
enforcado pelas cordas vocais,
meu amor inconfesso
permanece insepulto.
foto Adriana Barata
Anhangá 2015
sexta-feira, 13 de maio de 2016
febril
os bicos dos meus seios doem.
prazerosamente os sinto.
e é assim que tua boca
essa nossa fome louca
- permanece em mim.
te carrego no meu corpo
mais um dia
depois - e além - do ontem...
escultura de Yves Pires
sábado, 7 de maio de 2016
mater
Mãe ter
Manter
Mãe Terra
foto Adriana Barata
Comunidade Atodi
Rio Arapiuns - Pará 2016
sim, tua
meu corpo virou aquarela
tela da tua boca,
roxos que se amarelam
ensolarados de nostalgia.
mialgia - a magia da dor;
que faz com que tu permaneças em mim,
assim,
dias após o antigo ontem.
aqui, distante, e ainda estas perto.
s
omos sol e lua
eclipse fomos.
ogro e fada, tudo e nada
perfeito encaixe - encantamento.
sem espaço nem tempo
apenas o agora
e para sempre.
escultura de
Yves Pires
quinta-feira, 5 de maio de 2016
embarcar
meu silêncio navega
carregado de gratidão
foto Adriana Barata
Lago Verde/Pará 2016
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